Fundo Verde para o Clima anuncia US$ 1 bilhão para 14 países do Pacífico: o que está em jogo
No Global Citizen NOW: Perth, cúpula realizada em outubro de 2026 na Austrália, Marie-Ange Saraka-Yao, diretora do Departamento de Relações Externas do Fundo Verde para o Clima (GCF), anunciou uma carteira de investimentos climáticos desenvolvida em conjunto com 14 países do Pacífico. Dias depois, o programa foi aprovado pelo Conselho do Fundo.
O anúncio em números
De acordo com o comunicado da Global Citizen, a iniciativa mobilizaria:
- US$ 1 bilhão em investimentos, dos quais US$ 250 milhões em recursos não reembolsáveis (doações) do Fundo Verde para o Clima;
- 14 países do Pacífico, que participaram do desenvolvimento da carteira;
- três frentes: infraestrutura resiliente ao clima, proteção do litoral e segurança hídrica;
- benefício estimado para 3,7 milhões de pessoas, que enfrentam impactos crescentes das mudanças climáticas.
Na data do anúncio, 20 de outubro, a carteira ainda dependia de aprovação do Conselho do Fundo.
Quem anunciou e o que é o Fundo Verde para o Clima
Marie-Ange Saraka-Yao dirige o Departamento de Relações Externas do GCF. O Fundo, criado no âmbito da Convenção do Clima da ONU, financia projetos de mitigação e de adaptação em países em desenvolvimento, e as ilhas do Pacífico estão entre os territórios mais expostos ao aumento do nível do mar e a eventos extremos. Em publicação própria, a diretora afirmou que o Fundo ampliou sua atuação na região, dobrando os investimentos para US$ 2 bilhões em dois anos, descentralizando decisões e abrindo um escritório em Fiji, e destacou o processamento acelerado de um projeto regional de infraestrutura e energia com benefício para 14 países.
Da carteira ao programa aprovado: o RPACA
A carteira apresentada em Perth corresponde ao Programa Regional Programático para Ação Climática (RPACA, na sigla em inglês). Segundo o governo das Ilhas Cook, o Conselho do GCF o aprovou em 26 de outubro de 2026. As Ilhas Cook e Palau co-presidem o grupo de trabalho regional que moldou o programa, e o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) é a entidade acreditada que o executa e o cofinancia. Segundo a Pacific Islands News Association, o RPACA prevê:
- US$ 250 milhões em doações do GCF e cerca de US$ 809 milhões em cofinanciamento do BAD, num total de US$ 1,06 bilhão. O governo das Ilhas Cook fala em US$ 1,2 bilhão, com US$ 839 milhões do BAD, e as fontes divergem, de modo que vale conferir os documentos oficiais do Conselho;
- até 26 subprojetos de infraestrutura e de financiamento de adaptação, ao longo de dez anos;
- alcance de cerca de 3,7 milhões de pessoas, 18% da população do Pacífico;
- 14 países: Ilhas Cook, Fiji, Kiribati, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Niue, Palau, Papua-Nova Guiné, Samoa, Ilhas Salomão, Tonga, Tuvalu e Vanuatu.
Como o investimento está desenhado
O programa tem três eixos: fortalecer a gestão das finanças públicas e os sistemas de financiamento climático, o que inclui análise de risco fiscal e planejamento de investimentos em adaptação; executar infraestrutura resiliente, como proteção costeira e contra inundações, água, transporte, energia e saúde; e criar uma abordagem regional de financiamento combinado (blended finance) para ampliar o crédito de adaptação a micro, pequenas e médias empresas. Hemant Mandal, diretor regional do GCF para Ásia e Pacífico, descreveu o RPACA como um programa de propriedade e liderança do Pacífico. Nas Ilhas Cook, por exemplo, os recursos incluem a modernização de pelo menos quatro aeroportos do grupo sul.
Dois aspectos merecem atenção. O primeiro é o caráter programático: em vez de aprovar projeto a projeto, o Conselho aprova um conjunto de iniciativas com regras comuns, o que tende a acelerar a execução. O segundo é a presença de doações junto a crédito e capital privado, relevante para países pequenos que precisam adaptar sua infraestrutura sem ampliar o endividamento.
O contexto: segurança energética e velocidade do financiamento
O anúncio ocorreu no painel Energy Security and Independence, em 19 de outubro, segundo o programa oficial, com José Ramos-Horta, presidente de Timor-Leste; Anote Tong, ex-presidente de Kiribati; Marie-Ange Saraka-Yao; e Tzeporah Berman. Segurança energética significa contar com energia disponível, acessível e confiável, e independência energética, reduzir a dependência de combustíveis importados, como o diesel que abastece muitas ilhas. O tema central do debate foi a velocidade: Ramos-Horta afirmou que, desde a identificação de um projeto, pode levar até quatro anos para o primeiro recurso chegar, e ele e Anote Tong cobraram acesso mais rápido ao financiamento climático, conforme o comunicado do evento. O vídeo do painel também registra a defesa de projetos com componente de doação e a discussão sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A cúpula, organizada pela Global Citizen, ocorreu semanas antes da COP31, tema do nosso texto sobre a conferência.
O que isso indica para empresas e investidores
- O modelo de financiamento climático está mudando. Mais recursos chegam por programas regionais, com doações combinadas a crédito e capital privado e com execução local.
- Prazo é o gargalo. A distância entre identificar um projeto e receber o primeiro recurso decide quem acessa o dinheiro, e projetos bem preparados saem na frente.
- Salvaguardas e engajamento são requisito. Gestão ambiental e social, consulta a comunidades e dados confiáveis fazem parte da elegibilidade a fundos internacionais e da análise de investidores.
- A entrega é o teste. Como resumiu o primeiro-ministro das Ilhas Cook, Mark Brown, o desafio agora é executar, e os subprojetos ainda precisam ser preparados e aprovados ao longo dos anos.
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A KICK Group apoia organizações na preparação de projetos de energia e clima, no relato ESG, no engajamento de comunidades e partes interessadas e na gestão de dados, requisitos centrais para acessar financiamento. Entre em contato para conversar sobre o seu projeto.
Escreva para contato@kickgroup.com.br. Fontes: comunicado da Global Citizen, programa do evento, apresentação do evento, PINA, governo das Ilhas Cook e vídeo do painel. Este texto é informativo e foi atualizado até 31 de outubro de 2026.