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COP31 em Antália: o que esperar, quem vai, quais as tensões e como participar

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De 9 a 20 de novembro de 2026, a cidade turca de Antália recebe a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP31. Um ano depois de Belém, o encontro chega marcado por uma presidência dividida, por disputas sobre combustíveis fósseis, finanças e comércio, e por dúvidas sobre quem estará presente. Este texto reúne o que se sabe até 30 de outubro de 2026, com as fontes consultadas.

As informações mudam com rapidez nas semanas que antecedem a conferência. Confira sempre os canais oficiais antes de tomar decisões.

O que é a COP

A COP é a reunião anual das quase duas centenas de países que fazem parte da Convenção do Clima da ONU, a UNFCCC. É nela que os governos negociam as regras e as metas globais para reduzir emissões, adaptar-se aos efeitos do aquecimento e financiar a transição, inclusive a implementação do Acordo de Paris. As decisões são tomadas por consenso, o que torna cada texto final o resultado de longas barganhas entre países com interesses muito diferentes.

Como a COP31 está organizada

O arranjo é incomum. A Türkiye sedia a conferência, no Antalya Expo Center, e a Austrália, em parceria com países do Pacífico, conduz as negociações. O ministro australiano de Mudança do Clima, Chris Bowen, foi designado presidente das negociações, e a pré-COP será realizada em Fiji e Tuvalu, segundo o governo australiano. A divisão gerou dúvidas: o indicado à presidência turca, Murat Kurum, afirmou que a decisão final cabe à Türkiye, conforme o Climate Change News. A Cúpula de Líderes está marcada para 11 e 12 de novembro.

As zonas da COP: azul, verde e as demais

Uma COP funciona em áreas com regras de acesso distintas. A página oficial do COP31 descreve duas delas:

Zona Azul (Blue Zone)

É a área oficial, gerida pela ONU, onde ocorrem as negociações, a cúpula de líderes, os pavilhões nacionais, os painéis e os eventos paralelos credenciados. Só entra quem tem credencial da UNFCCC: delegações dos países (chefes de Estado, ministros, negociadores), organizações observadoras da sociedade civil, empresas e instituições de pesquisa credenciadas por meio delas, agências da ONU e imprensa. Não é aberta ao público.

Zona Verde (Green Zone)

É a área de acesso público, organizada pelo país anfitrião, com exposições, debates, oficinas, atividades culturais e espaços de networking. Recebe sociedade civil, estudantes, pesquisadores, empresas e visitantes. A entrada geralmente é gratuita, com pré-registro e documento de identidade, e a programação costuma ser majoritariamente em turco, com algumas sessões em inglês.

Os pavilhões e os espaços paralelos

Dentro da Zona Azul ficam os pavilhões de países e de grupos, que funcionam como vitrines políticas e palcos de eventos paralelos. Fora do perímetro oficial, movimentos sociais costumam organizar cúpulas dos povos, atos e encontros próprios. Em Antália, uma Cúpula Popular do Clima está prevista, com uma manifestação anunciada para 14 de novembro, segundo o Climate Change News e a Human Rights Watch.

As críticas às COPs anteriores

As últimas conferências acumularam críticas de organizações da sociedade civil e de povos indígenas. Algumas das principais:

  • Lobby dos combustíveis fósseis: na COP30, em Belém, grupos que monitoram o tema contabilizaram mais de 1.600 lobistas do setor credenciados, número superior ao da maioria das delegações nacionais, segundo a Sustainability Magazine.
  • Representatividade indígena: embora Belém tenha tido a maior presença indígena da história das COPs, delegados relataram dificuldades de acesso às negociações e falta de resultados concretos, como mostra o balanço da Mongabay.
  • Textos finais frágeis: o resultado de Belém não trouxe menção à eliminação gradual de combustíveis fósseis, e a mineração foi retirada do texto sobre transição justa.
  • Custos e acesso: hospedagem cara, obras com impacto ambiental, restrições de acesso e barreiras para delegados de países pobres e de comunidades locais são críticas recorrentes.
  • Segurança e infraestrutura: um incêndio em um pavilhão da Zona Azul de Belém, em 20 de novembro de 2025, levou à evacuação do local e à interrupção das negociações por algumas horas, conforme a RTÉ.

Os protestos na COP30 e o que esperar em Antália

Em Belém, houve marchas de grande porte lideradas por povos indígenas e movimentos sociais, e um protesto que bloqueou por horas a entrada principal da conferência, segundo a Al Jazeera. As estimativas de público variaram bastante entre as fontes.

Em Antália, o ambiente é diferente. A Human Rights Watch afirma que a Türkiye vem investigando e detendo ativistas ambientais desde 2023, e organizações como a Anistia Internacional se preocupam com uma cláusula do acordo de sediamento que pede aos participantes que respeitem a lei turca e não interfiram em "assuntos internos" do país, conforme o Climate Change News. O acordo não proíbe explicitamente críticas ou manifestações, e o governo diz que haverá espaço para a sociedade civil. Em resumo, é provável que haja atos, mas em formato e escala diferentes dos de Belém, e com risco maior para quem os organiza.

Quem deve estar presente

A lista de confirmados ainda está em aberto, e o quadro até o momento é este:

  • segundo a lista provisória de oradores da ONU, 77 países têm líderes inscritos para discursar na cúpula, cerca de um terço a menos do que os 116 da COP28; entre os países do G20, além dos anfitriões, só Reino Unido, Brasil e China têm discursos em nível de chefe de Estado ou de governo, de acordo com o Climate Change News;
  • o presidente Lula confirmou presença, chegando a Antália em 10 de novembro para a cúpula e para a transferência da presidência da COP, conforme a Al-Monitor;
  • o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, estão previstos; a China deve ser representada pelo vice-premiê, e Xi Jinping não deve comparecer; o presidente Erdoğan deve fazer a abertura;
  • Trump nunca foi a uma COP, e os Estados Unidos estão em processo de saída da Convenção do Clima, de modo que uma delegação oficial não é esperada;
  • não há divulgação de uma lista de presidentes de grandes empresas ou de consultores confirmados. O que existe é a estrutura de negócios: a União das Câmaras da Türkiye (TOBB) é a enviada do setor privado da conferência, e uma Cúpula de Negócios e Investimentos está marcada para 12 e 13 de novembro, coincidindo, pela primeira vez, com a Cúpula de Líderes, segundo a ONU Türkiye.

O que esperar do debate

  • Combustíveis fósseis: o roteiro de transição para longe dos combustíveis fósseis, prometido na COP30 mas ainda inconcluso, deve ser o tema mais disputado.
  • Finanças: o roteiro de Baku a Belém, que busca tirar do papel a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano, e o acompanhamento da meta de triplicar o financiamento para adaptação.
  • Novas metas nacionais (NDCs): a avaliação das contribuições nacionais atualizadas diante da distância que ainda separa o mundo da meta de 1,5°C.
  • Perdas e danos, florestas e adaptação: a operacionalização do fundo de perdas e danos e a agenda de proteção das florestas.
  • Comércio: a China tem colocado o tema entre as suas prioridades, o que tende a reacender o debate sobre tarifas de carbono, como o CBAM europeu, e sobre tecnologias limpas, segundo o Climate Home News.
  • Pacífico: a presença australiana e das ilhas do Pacífico deve colocar em destaque o financiamento para países insulares vulneráveis.

As tensões diplomáticas possíveis

  • Estados Unidos: o país anunciou sua saída da Convenção do Clima, e a conferência será, segundo análises, a primeira construída em torno da ausência americana, como observa a Modern Diplomacy. A ausência enfraquece o financiamento e reabre o debate sobre quem assume a liderança.
  • Brasil: Lula foi reeleito em segundo turno, em 25 de outubro, contra Flávio Bolsonaro, e chega a Antália como presidente que encerra o ciclo de Belém. A polarização interna sobre desmatamento, licenciamento e a permanência no Acordo de Paris deve seguir como pano de fundo para a imagem do país, e o roteiro de combustíveis fósseis será um teste da liderança brasileira.
  • Oriente Médio: a guerra em Gaza segue como pano de fundo político. Em setembro de 2025, a comissão independente de inquérito da ONU concluiu que há genocídio em Gaza, e Israel rejeitou as conclusões como falsas, de acordo com o Geneva Solutions. Além disso, a guerra envolvendo o Irã e a interrupção de fluxos no Estreito de Ormuz reforçaram o debate sobre a segurança energética. Não há registro de uma disputa formal sobre esses temas na pauta, mas eles podem surgir em discursos e em articulações entre blocos de países.
  • Presidência dividida e direitos civis: a repartição de papéis entre Türkiye e Austrália pode gerar atritos de condução, e as restrições a manifestações no país anfitrião podem se tornar tema de debate público.

Como participar

Como pessoa física

  • Zona Verde: é a via mais simples. Em geral, exige pré-registro gratuito pela plataforma oficial e um documento de identidade válido, e fica fechada ao público nos dias da Cúpula de Líderes (11 e 12 de novembro). Há visto para a maioria dos viajantes internacionais.
  • Zona Azul: um indivíduo não compra credencial. Ela é gratuita, mas precisa ser indicada por uma organização observadora admitida, por uma delegação de país ou por uma organização internacional, pelo sistema de registro da UNFCCC. Os prazos principais, como a indicação de observadores, em 10 de agosto, e a da imprensa, em 16 de outubro, já passaram, de acordo com guias de terceiros. Consulte a página oficial de informações da UNFCCC para confirmar.
  • Acompanhar à distância: as sessões públicas costumam ser transmitidas pela internet, e vale acompanhar os boletins de organizações observadoras.

Como empresa

  • Zona Verde: empresas podem se candidatar a espaços de exposição e a programação pelos canais da organização (o contato indicado é greenzone@cop31.tr), mas os prazos de inscrição devem ser conferidos.
  • Zona Azul: empresas sem status de observadora costumam participar por meio de associações setoriais, câmaras de comércio, organizações empresariais credenciadas ou delegações de governos. A Cúpula de Negócios e Investimentos é uma porta de entrada para o setor privado.
  • Preparação: antes de ir, vale definir o objetivo, como relacionamento com investidores, acompanhamento regulatório ou visibilidade de cases, e alinhar os dados de emissões, metas e riscos que serão apresentados.

O que isso significa para as empresas brasileiras

O que se decide numa COP acaba chegando às empresas por outros caminhos: regulação nacional, regras de comércio, exigências de bancos e de clientes e expectativas de investidores. Acompanhar a COP31 ajuda a antecipar temas como preço de carbono, metas setoriais, financiamento da adaptação e requisitos de transparência, e a preparar o relato e a análise de riscos de acordo com eles.

Fale com a KICK

A KICK Group apoia empresas no diagnóstico de maturidade ESG, na materialidade, no inventário de emissões, na análise de riscos e no relato, inclusive por meio da plataforma B.KICK. Entre em contato para conversar sobre como a agenda da COP31 afeta o seu negócio.

Solicitar mais informações

Escreva para contato@kickgroup.com.br. Fontes: Governo australiano, Climate Change News, Climate Change News (oradores), Al-Monitor, COP31 (FAQ oficial), UNFCCC, ONU Türkiye, Human Rights Watch, Sustainability Magazine, Mongabay, Al Jazeera, RTÉ, Climate Home News, Modern Diplomacy e Geneva Solutions. Este texto é informativo e foi atualizado até 30 de outubro de 2026.

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