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A nova onda de FPSOs no Brasil, na Guiana e no Suriname

Colagem com um FPSO no centro, mapa da América do Sul, navios de apoio, portos e os termos sustentabilidade e ESG

No Brasil, a Petrobras segue contratando e recebendo plataformas flutuantes para o pré-sal. Na Guiana, quatro unidades já levam a produção do bloco Stabroek a perto de 900 mil barris por dia, e uma quinta acaba de chegar. No Suriname, a TotalEnergies prepara o primeiro grande desenvolvimento em águas profundas do país. A engrenagem comum a esses projetos é o FPSO, e junto com ele vêm perguntas sobre indicadores ESG, regras, crises e a relação com os portos.

Do que se trata

FPSO é a sigla em inglês de unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência. É um navio-plataforma que recebe o petróleo e o gás dos poços no fundo do mar, separa o óleo, a água e o gás, guarda o óleo no casco e o repassa a navios aliviadores. Esse arranjo é comum em águas profundas, longe da costa, onde levar tudo por duto até a terra seria inviável.

Segundo análise da Riviera Maritime Media, com dados da Rystad Energy, 14 FPSOs foram contratados no mundo entre 2020 e 2024, seis deles de grande porte, para o campo de Búzios, no Brasil. Este artigo trata de três frentes: o pré-sal brasileiro, o bloco Stabroek, na Guiana, e o Bloco 58, no Suriname.

Brasil

A Petrobras segue como principal contratante. Novas unidades entraram em Búzios desde o fim de 2025, segundo a empresa, e outras duas, de 225 mil barris por dia cada, devem chegar em 2027, conforme o Oil & Gas Journal. Os contratos das plataformas de Atapu 2 e Sépia 2 foram para a Seatrium, em valor de cerca de US$ 8 bilhões. Fora da Petrobras, a Equinor perfura o projeto de gás Raia, na Bacia de Campos, com sócios Repsol Sinopec e Petrobras, investimento de cerca de US$ 9 bilhões e início previsto para 2028, segundo o World Oil.

A fronteira nova é a Margem Equatorial. O Ibama emitiu em outubro de 2025 a licença para a Petrobras perfurar o poço Morpho, na foz do Amazonas, e qualquer produção futura dependerá de licença própria.

Guiana

Quatro FPSOs produzem no bloco Stabroek, da ExxonMobil (45%), da Chevron (30%, que incorporou a Hess) e da CNOOC (25%): Liza Destiny, Liza Unity, Prosperity e One Guyana. A produção ficou em 895 mil barris por dia em maio e 869 mil em junho de 2026, segundo o Village Voice. O quinto, o Errea Wittu, da MODEC, chegou à Guiana em agosto para o projeto Uaru, com capacidade de 250 mil barris por dia, tratamento de 540 milhões de pés cúbicos de gás por dia e casco duplo, e deve iniciar a operação em setembro, com o primeiro óleo no quarto trimestre, conforme o Offshore Energy. Seguem o Whiptail, em 2027, e o Hammerhead, em 2029, e o Longtail, projeto de gás e condensado, depende de decisão final de investimento ainda neste ano.

Suriname

O Bloco 58, operado pela TotalEnergies em parceria com a APA, teve decisão final de investimento em outubro de 2024, segundo a Staatsolie, estatal do país. O FPSO, de até 220 mil barris por dia, será construído pela SBM Offshore com a Technip Energies, e o primeiro óleo é esperado em 2028. A unidade foi projetada com acionamento totalmente elétrico, para eliminar a queima de gás, de acordo com a Riviera. No Bloco 52, a Petronas planeja uma decisão final sobre um projeto de gás até o fim de 2026, segundo o Brazil Energy Insight.

Indicadores ESG e de sustentabilidade

O padrão setorial de reporte é o GRI 11, para petróleo e gás, que lista 22 temas prováveis de materialidade, entre eles emissões de gases de efeito estufa, adaptação e transição climática, emissões atmosféricas, biodiversidade e água e efluentes. Os indicadores ligados a um projeto de FPSO podem ser organizados em seis frentes.

  • Clima e ar: emissões de escopo 1 e 2, intensidade de carbono por barril, metano e volume queimado em tocha. Na Guiana, as licenças ambientais proíbem a queima de rotina, e a contagem de eventos de queima virou ponto de disputa, segundo a InfoAmazonia. O FPSO do Suriname foi desenhado para zerar a queima, e o do Uaru usa ciclo combinado para reduzir CO₂.
  • Água e resíduos: qualidade da água produzida descartada, que no FPSO do Uaru tem capacidade de 300 mil barris por dia, e destino de fluidos de perfuração e de resíduos.
  • Derramamentos e prontidão: número e volume de vazamentos, planos de emergência e equipamentos de resposta, como o capping stack exigido na licença do projeto Yellowtail, na Guiana.
  • Segurança: eventos de segurança de processo, acidentes com e sem afastamento e resultado de auditorias do sistema de gestão.
  • Pessoas e comunidades: emprego e compras locais, conteúdo local, canais de reclamação e relacionamento com comunidades pesqueiras.
  • Governança e fim de vida: garantias financeiras, seguros e provisão para o descomissionamento.

Exigências regulatórias

No Brasil, o licenciamento é federal e conduzido pelo Ibama. A Resolução CONAMA 398/2008 define o conteúdo mínimo do Plano de Emergência Individual de plataformas para incidentes de poluição por óleo. A ANP fiscaliza a segurança operacional. Em agosto de 2025, interditou o FPSO Peregrino, no campo da Equinor e da Prio, após auditoria no sistema de gestão de segurança, e a Prio apontou como principais pontos a documentação de gestão e análise de risco e ajustes no sistema de dilúvio, segundo o InfoMoney. No fim da vida útil, vale a Resolução ANP 817/2020, que trata da desativação de instalações, em consonância com as exigências do Ibama.

Na Guiana, cada projeto recebe uma licença ambiental própria da agência ambiental, a EPA, com condições específicas. A do Yellowtail, por exemplo, proíbe a queima e a ventilação de rotina, exige um capping stack mantido no país e uma garantia da empresa-mãe, segundo o Stabroek News. Desde dezembro de 2025, seguradoras locais estão autorizadas a cobrir o bloco, de acordo com o Kaieteur News. A Lei de Conteúdo Local, de 2021, fixa níveis mínimos de conteúdo local e obriga contratadas a apresentar relatórios periódicos, segundo o Stabroek News.

No Suriname, o estudo de impacto ambiental e social do Bloco 58, com consultas públicas, estava em análise na autoridade ambiental nacional em 2024, conforme a SPE. As fontes consultadas não confirmam o status atual, e vale conferi-lo antes de citar o licenciamento como concluído. As unidades também seguem convenções marítimas internacionais, como a MARPOL, que a Resolução CONAMA 398/2008 cita ao tratar de plataformas.

Os tipos de crise

A operação de um FPSO pode enfrentar ao menos seis tipos de crise, com exemplos recentes a seguir.

  1. Acidente a bordo. Em 23 de agosto, um incêndio na lavanderia dos alojamentos do Liza Unity foi controlado rapidamente, sem feridos nem derramamento relatados. A transferência de óleo foi suspensa para verificações, segundo o Village Voice, e as autoridades devem investigar.
  2. Interdição regulatória, como a do Peregrino, em 2025.
  3. Derramamento ou descarte irregular, que ativa o plano de emergência e a exposição pública da empresa.
  4. Judicialização e disputa de licença. Na Guiana, a queima de gás foi levada à Justiça, segundo a InfoAmazonia.
  5. Crise geopolítica. A Venezuela questionou a chegada do FPSO One Guyana ao bloco Stabroek, em área marítima que considera não delimitada, segundo o Kaieteur News.
  6. Crise de cronograma e de cadeia, com atrasos de estaleiros e aumento de custos. As unidades da Petrobras, por exemplo, passam por estaleiros no exterior: o P-84 é construído em Yantai, na China, e as P-80 e P-82 estão em integração em Singapura, segundo o Oil & Gas Journal.

Em qualquer desses cenários, pesam o que a empresa comunica nas primeiras horas e o relacionamento que já existia com comunidades, autoridades e imprensa.

Como tudo isso se conecta aos portos

O FPSO fica no mar, mas depende de terra para o apoio logístico: embarcações de apoio, suprimentos, troca de equipes, recebimento de resíduos, resposta a emergências e, no fim, desmontagem. Por isso os projetos citados também pressionam bases e terminais.

No Brasil, o Porto do Açu se apresenta como o maior complexo de apoio offshore do mundo, e a Baía de Guanabara e Macaé concentram bases que atendem as bacias de Santos e Campos. Na Guiana e no Suriname, a infraestrutura está sendo montada junto com os projetos. A expansão offshore impulsiona a busca por polos logísticos no Caribe, segundo o Caribbean Energy Week, e a BNamericas aponta o Suriname como alvo de uma base de apoio offshore e possível polo de energia, com a licença ambiental de uma base em andamento. Para os portos, isso traz demanda e traz exigências: licenciamento, capacidade de recebimento de resíduos de embarcações, planos de emergência integrados aos das plataformas, mobilidade e emprego locais e relacionamento com pescadores e comunidades do entorno.

O que acompanhar

  1. A partida do FPSO Errea Wittu, em setembro, e o primeiro óleo do Uaru, no quarto trimestre.
  2. O resultado da investigação do incêndio no Liza Unity.
  3. A decisão final de investimento do Longtail, na Guiana, e a do Bloco 52, no Suriname.
  4. As novas unidades de Búzios, previstas para 2027, e o avanço do licenciamento na Margem Equatorial.

Fale com a KICK

A KICK Group apoia empresas de energia, portos e logística na organização de dados ESG, no mapeamento de partes interessadas, no relacionamento com comunidades e na preparação de comunicação de risco e de crise. Se o seu negócio tem relação com a cadeia offshore, vale conversar.

Solicitar mais informações

Escreva para contato@kickgroup.com.br. Fontes: Riviera, Oil & Gas Journal, Rigzone, World Oil, Exame, Offshore Energy, Village Voice, Stabroek News, Kaieteur News, InfoAmazonia, Staatsolie, SPE, Brazil Energy Insight, CONAMA, ANP, InfoMoney, GRI, Caribbean Energy Week e BNamericas. Este texto é informativo, os projetos e as datas podem mudar e ele foi atualizado até 28 de agosto de 2026.

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