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GRI amplia a presença no Brasil: o que muda no relato de sustentabilidade das empresas

Logotipo da Global Reporting Initiative (GRI)

A Global Reporting Initiative (GRI), organização responsável pelos padrões de relato de sustentabilidade mais usados no mundo, está ampliando sua presença no Brasil. Em 4 de novembro, a entidade realiza em São Paulo um encontro com empresas, pequenos e médios negócios, reguladores e investidores, e deve apresentar um programa voltado às PMEs. O momento coincide com mudanças relevantes no relato de sustentabilidade, no Brasil e fora dele. Este texto reúne o contexto e o que ele significa para as empresas.

A GRI no Brasil

Segundo o comunicado da própria GRI, de 27 de agosto de 2026, a organização nomeou uma líder para o país, com sede em São Paulo, e vai desenvolver, com empresas, instituições e demais interessados brasileiros, um programa de capacitação. As prioridades anunciadas são ampliar o acesso a aprendizado e conhecimento técnico em relato de sustentabilidade, fortalecer o diálogo com o setor privado, criar ações práticas para empresas em diferentes estágios do relato e se aproximar de reguladores e formuladores de políticas públicas. O trabalho conta com o apoio da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça (SECO).

A relevância do país para a GRI é grande. De acordo com o mesmo comunicado, 71% das grandes empresas listadas no Brasil usam os GRI Standards, e o país aparece em quinto lugar entre 132 jurisdições em adoção e em terceiro por valor de mercado. Em pesquisa do CEBDS citada pela GRI, 97% das 82 empresas avaliadas usam os padrões, 84% dos relatórios têm asseguração externa e 75% aplicam dupla materialidade.

O que são os GRI Standards

Os GRI Standards são um conjunto de normas voluntárias para que as organizações divulguem seus impactos na economia, no meio ambiente e nas pessoas, inclusive nos direitos humanos. O foco é a chamada materialidade de impacto: o que a empresa causa ao mundo, e não apenas o que o mundo causa à empresa. A estrutura combina normas universais, normas por tema (como emissões, água e trabalho) e normas setoriais.

O relato está mudando: as novas normas da GRI

Os padrões estão em atualização, e quem relata precisa se organizar com antecedência:

  • a GRI 101, sobre biodiversidade, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, substitui a norma anterior e passa a exigir uma análise mais sistemática de contexto, localização e impactos na cadeia de valor;
  • a GRI 102, sobre mudanças climáticas, e a GRI 103, sobre energia, publicadas em junho de 2025, entram em vigor em 1º de janeiro de 2027;
  • a GRI 102 reúne as divulgações de emissões e traz novidades como informações sobre plano de transição climática, plano de adaptação, uso de créditos de carbono e remoções de gases de efeito estufa;
  • a GRI 103 reforça as expectativas sobre consumo de energia, eficiência e engajamento de fornecedores.

Segundo a análise da Sustainserv, os relatórios referentes ao exercício de 2026, publicados em 2027, já devem aplicar as novas normas de clima e de energia. Isso exige revisar a materialidade, os processos de coleta de dados e a integração entre as áreas de sustentabilidade, finanças e riscos.

GRI e IFRS: padrões que se complementam

A GRI trabalha com a materialidade de impacto, e as normas IFRS S1 e S2, do ISSB, com a materialidade financeira, voltada a investidores. Segundo a Anthesis, a GRI e a IFRS Foundation firmaram um memorando de cooperação em 2022 e aprofundaram a parceria em 2024, e o clima é a área mais alinhada, por ambos se basearem no GHG Protocol. Na prática, muitas empresas fazem uma única avaliação de materialidade e extraem dela o que serve a cada padrão, usando a GRI para os impactos e as normas IFRS para a informação a investidores. A GRI já oferece, na sua academia, um curso sobre relato climático com os padrões GRI e IFRS, conforme o comunicado.

As mudanças regulatórias que pressionam o relato no Brasil

O cenário brasileiro é de normas em movimento, e o relato passa a ser exigido ou cobrado por diferentes vias:

  • Mercado de capitais: a CVM tornou voluntário o relato nos padrões IFRS S1 e S2, no formato "pratique ou explique", e abriu em outubro uma consulta pública sobre o tema, de acordo com a Capital Reset. O regime voluntário segue em vigor, e a obrigatoriedade pode voltar ao debate.
  • Sistema financeiro: a Resolução BCB 586 reformula o relatório de riscos e oportunidades sociais, ambientais e climáticas das instituições financeiras, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2027, o que aumenta a demanda dos bancos por dados de seus clientes, conforme o texto da resolução.
  • Mercado de carbono: o relato de emissões do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões deve começar em 2027, segundo o Ministério da Fazenda.

Cadeia de suprimentos e PMEs: onde o relato vira realidade

As grandes empresas precisam divulgar informações sobre sua cadeia de valor, e isso se traduz em pedidos de dados a fornecedores, em geral pequenas e médias empresas. Elas aparecem nos questionários de clientes, nas análises de crédito dos bancos e nos critérios de seleção de fornecedores, muitas vezes sem estrutura ou orientação para responder.

Na Europa, o EFRAG criou um padrão voluntário simplificado para PMEs, o VSME, para facilitar o relato e o acesso a financiamento sustentável, segundo a Grant Thornton Brasil, e uma recomendação da Comissão Europeia prevê um limite para o que as grandes empresas podem exigir de seus fornecedores menores, de acordo com o IAPMEI. Não encontramos um equivalente brasileiro com regras definidas, o que torna mais valiosas as iniciativas de capacitação. A própria GRI informa que lançará em português o curso Enhancing Sustainability Reporting for SMEs neste ano e, segundo a divulgação do evento, mais de 3.200 organizações da América Latina relatam com a GRI, 90% delas PMEs. Esse dado vem da divulgação do evento e não foi checado em outra fonte.

Como as empresas podem se preparar

  1. Definir a materialidade, identificando os temas em que a empresa causa impactos e aqueles que afetam o seu desempenho financeiro.
  2. Escolher o padrão ou a combinação de padrões mais adequados ao público do relato: clientes, investidores, bancos ou reguladores.
  3. Organizar os dados, com responsáveis, fontes e rotinas, e começar por um conjunto pequeno de indicadores confiáveis.
  4. Mapear a cadeia de fornecedores e entender que informações ela precisará fornecer, ou que informações a empresa pedirá a ela.
  5. Acompanhar a agenda regulatória e antecipar as novas exigências de clima, energia e biodiversidade.
  6. Estruturar governança e controles para que o relato resista à asseguração e à análise de investidores e financiadores.

Perguntas para a sua empresa

  1. Para quem relatamos hoje, e quem pode nos cobrar relato nos próximos anos?
  2. Nossa materialidade está atualizada e considera clima, energia e natureza?
  3. Se um cliente ou banco pedisse dados ESG amanhã, saberíamos responder?
  4. Conhecemos os riscos e os dados ESG da nossa cadeia de fornecedores?

Fale com a KICK

A KICK Group apoia empresas de diferentes portes na materialidade, na estruturação de indicadores, no relato com os padrões GRI e IFRS e na gestão de dados ESG da cadeia de valor, inclusive por meio da plataforma B.KICK. Entre em contato para conversar sobre o seu relato.

Solicitar mais informações

Escreva para contato@kickgroup.com.br. Fontes: GRI, Sustainserv, Anthesis, Capital Reset, Resolução BCB 586, Ministério da Fazenda, Grant Thornton Brasil e IAPMEI. Este texto é informativo e foi atualizado até 30 de outubro de 2026.

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