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O mundo está mesmo mais imprevisível: o que dizem os diretores de riscos da Volkswagen e da OMC

Colagem de um homem e uma mulher equilibrando-se em uma corda entre prédios, relógios derretidos, gráficos em queda, dado, labirinto, bússola e tempestade

Conflitos armados, ataques cibernéticos e desastres naturais que interrompem a produção a milhares de quilômetros de distância deixaram de ser exceção no noticiário. Essa percepção foi confirmada pelos diretores de riscos da Volkswagen e da Organização Mundial do Comércio (OMC), que afirmaram, em podcast do Fórum Econômico Mundial, que o mundo está mais imprevisível do que costumava ser.

A conversa foi gravada ao vivo em 8 de outubro, no programa Radio Davos, com Torben Oeder, diretor global de riscos da Volkswagen, e Natasha Fields, diretora de ética, riscos e compliance da OMC. A seguir, os pontos mais relevantes para quem administra uma empresa, de qualquer porte.

Os riscos deixaram de ocorrer isoladamente

Geopolítica, cadeias de suprimentos, desinformação, clima e inteligência artificial já não cabem em listas separadas. Um conflito encarece a energia, a energia eleva os custos e os custos pressionam o crédito. A gestão de riscos precisa, portanto, considerar o conjunto das conexões, e não apenas cada risco individualmente.

Sinais fracos, problemas grandes

Alguns riscos podem ser medidos com base em histórico e probabilidade. Outros se manifestam por sinais discretos: uma mudança regulatória em outro país, um movimento atípico no mercado, um alerta de fornecedor. O desafio é captar esses sinais com antecedência e distingui-los do ruído. Quem faz isso bem não prevê o futuro, mas é o primeiro a identificar o problema.

A inteligência artificial apoia, mas a decisão é humana

Os dois executivos tratam a inteligência artificial como aliada: ela processa grandes volumes de dados, reconhece padrões, aponta anomalias e acelera a construção de cenários. Interpretar os resultados, decidir o que fazer e responder pela decisão, porém, continua sendo atribuição de pessoas, e o julgamento ético não pode ser delegado a um algoritmo.

Há ainda um ponto de atenção: deixar de usar IA também passou a ser um risco, porque quem a utiliza ganha velocidade. Por outro lado, o uso sem critério abre novas frentes de exposição, como a segurança da informação e a proteção de dados.

Eficiência e resiliência

As empresas tendem a buscar processos enxutos, padronizados e de baixo custo. Sem nenhuma margem de folga, no entanto, qualquer choque pode se transformar em crise. Os executivos não propõem escolher entre eficiência e resiliência, mas fazer continuamente a pergunta "e se?". Na prática, isso pode significar manter um segundo fornecedor para itens críticos, ainda que com custo um pouco maior, ou aproximar a produção e as compras do mercado consumidor, para reduzir a dependência de cadeias longas e frágeis.

Como a resiliência tem custo, a decisão deve ser fundamentada: o investimento se justifica onde a probabilidade de o risco se concretizar compensa a despesa.

Os riscos climáticos ainda são subestimados

No Relatório de Riscos Globais do Fórum, as mudanças climáticas e os eventos extremos lideram a lista quando o horizonte é de dez anos. No curto prazo, outros temas concentram mais atenção. Para os dois executivos, os riscos ambientais continuam subestimados, sobretudo pelos efeitos em cadeia: um fenômeno climático pode afetar o preço dos alimentos e da água, a estabilidade política e os ciclos econômicos. Para as empresas, isso significa incluir a disponibilidade de água, o consumo de energia e a localização dos fornecedores na análise de riscos, e não restringir o tema ao relatório de sustentabilidade.

O que o setor privado e os organismos internacionais podem aprender entre si

As empresas costumam dispor de mais recursos, estruturaram a gestão de riscos mais cedo e reagem com maior rapidez. Já os organismos internacionais precisam construir decisões entre muitos países, o que torna os processos mais lentos, embora estejam evoluindo. Para a OMC, o principal risco sistêmico é a fragmentação da economia global. Na Volkswagen, a rotina inclui o acompanhamento da geopolítica, da regulação e do mercado, com análises de impacto realizadas logo após cada evento, e não apenas no relatório trimestral. Ambos convergem em um ponto: a troca de informações e de boas práticas melhora a identificação de riscos emergentes para todos.

A perspectiva da Volkswagen sobre sustentabilidade

Uma entrevista com Dirk Voeste, diretor de sustentabilidade da montadora, publicada pelo Estadão em 28 de outubro de 2026, a partir de reportagem do New York Times, traz outro ângulo. Segundo ele, a sustentabilidade só tem valor quando está incorporada à operação cotidiana, com redução de custos, menor dependência de matérias-primas e maior reaproveitamento de peças. Ele também menciona a estratégia de produzir e desenvolver localmente, o que dialoga com a visão do diretor de riscos. Riscos, sustentabilidade e negócio fazem parte, portanto, de uma mesma agenda.

Imprevisível não significa sem saída

Apesar do cenário, os dois executivos encerraram o episódio com otimismo. A gestão de riscos bem conduzida não serve apenas para evitar perdas: ela permite identificar oportunidades em meio à incerteza e antecipar-se a quem ainda reage apenas depois que o problema aparece.

Perguntas para a sua empresa

Seis questões para orientar uma primeira avaliação:

  1. Quais são os cinco riscos com maior potencial de interromper a operação, e como eles se relacionam?
  2. A empresa identifica sinais antecipados ou só toma conhecimento do problema quando ele se materializa?
  3. Quais fornecedores e insumos são críticos e não têm alternativa?
  4. A análise de riscos considera clima, água, energia e questões sociais, ou apenas o aspecto financeiro?
  5. Dados e tecnologia são usados para ampliar a visão de riscos, com responsáveis por interpretar os resultados?
  6. A liderança conhece os indicadores acompanhados e o motivo de cada um?

Se a resposta para a maioria das perguntas for negativa ou incerta, um diagnóstico de riscos é um bom ponto de partida.

Fale com a KICK

A KICK Group apoia empresas na transformação da incerteza em planejamento, com análise de riscos, materialidade, indicadores, metas e relato ESG, inclusive por meio da plataforma B.KICK. Entre em contato para conversar sobre os riscos do seu negócio.

Solicitar mais informações

Escreva para contato@kickgroup.com.br. Fonte principal: Radio Davos, Fórum Econômico Mundial (em inglês), episódio do programa Strategic Intelligence do Fórum. Leitura complementar: os relatórios "Risk Management Reimagined" e "Global Risks Report 2026".

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