Energy Transition Index 2026: o que o Fórum Econômico Mundial nos informa
O Energy Transition Index (ETI) 2026, do Fórum Econômico Mundial (WEF), avaliou 120 países e trouxe um recado claro: a transição energética continua avançando, mas de forma cada vez mais desigual e sob pressão. O relatório é de 18 de junho de 2026, e o resumo executivo está disponível no site do WEF (em inglês).
O que o índice mede
O ETI avalia dois grandes blocos: o desempenho do sistema energético, em três dimensões, que são segurança, acessibilidade (custo) e sustentabilidade, e a prontidão para a transição, que reúne as condições que permitem o progresso futuro, como política, finanças, inovação e infraestrutura.
Os principais achados
- Progresso fragmentado: apenas 24% dos países melhoraram ao mesmo tempo em segurança, acessibilidade e sustentabilidade.
- Os números ainda impressionam: em 2025, o investimento global em energia chegou a US$ 3,3 trilhões, renováveis e nuclear geraram 42% da eletricidade e a capacidade renovável cresceu cerca de 800 GW.
- A segurança energética piorou: foi a única dimensão de desempenho a recuar (-0,9%), por causa de menor confiabilidade e de condições de oferta mais frágeis. A eficiência energética, por outro lado, melhorou em 92 economias.
- Os “habilitadores” enfraqueceram pela primeira vez em mais de uma década: finanças e investimento caíram 1,8%, regulação e compromisso político, 1,2%, e inovação, 1,1%.
- Capital concentrado: 75% do investimento em energia limpa ainda vai para poucas economias, enquanto os países que devem responder por 80% do crescimento futuro da demanda por eletricidade enfrentam custos de financiamento de duas a três vezes maiores.
- Gargalo nas redes: mais de 2.500 GW de projetos aguardam conexão à rede no mundo.
- Novos choques: o relatório cita restrições comerciais que afetaram US$ 2,6 trilhões em comércio, controles de exportação que cobrem mais da metade dos minerais críticos da transição e a interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz em 2026, que provocou um dos maiores choques de preços de energia desde 2022.
- Demanda em alta: eletrificação, climatização, infraestrutura digital e data centers com IA pressionam os sistemas.
Quem lidera
A Suécia lidera o ranking pelo terceiro ano seguido, e economias nórdicas e europeias ocupam o topo da lista. O resumo destaca que China, Brasil, Estados Unidos, Alemanha e França também aparecem entre os primeiros colocados, o que mostra que países de diferentes regiões e níveis de renda têm papel relevante na transição.
Na leitura regional apresentada por Roberto Bocca, do Fórum: os países nórdicos seguem à frente, a China é o destaque da Ásia, a Índia chama atenção pela prontidão, os Emirados Árabes Unidos lideram no longo prazo e a África Subsaariana ganha impulso.
A mensagem central: a segurança energética mudou de sentido
O relatório defende que segurança energética já não é só garantir o combustível. Passou a incluir redes, minerais, infraestrutura, confiabilidade e resiliência. O choque de Ormuz mostrou como ganhos de acessibilidade podem se reverter rapidamente, principalmente para economias que dependem de importação.
Três prioridades para o caminho adiante
- Fortalecer a segurança, a acessibilidade e a resiliência.
- Destravar a entrega, expandindo a infraestrutura, em especial as redes.
- Aumentar a “investibilidade”, com política estável, regulação confiável e melhor compartilhamento de riscos.
O que isso significa para as empresas
Um ranking mede um país, mas quem enfrenta o custo, a confiabilidade e o prazo da energia é a empresa. Alguns pontos para a gestão:
- Energia entra na análise de riscos. Volatilidade de preço, falhas de fornecimento e atrasos de conexão são riscos de negócio e devem constar na matriz de riscos, junto com os riscos climáticos.
- Materialidade e metas. Eficiência energética, matriz de consumo, emissões de escopo 2 e autogeração são temas que muitas empresas precisam avaliar à luz da sua própria operação.
- Indicadores confiáveis. Com mais atenção do mercado a custo de capital e “investibilidade”, dados de energia e de emissões, medidos e verificáveis, ajudam no acesso a crédito e a investidores.
- Cadeia de valor. A fragilidade de minerais, redes e logística afeta fornecedores e prazos. Vale mapear dependências.
- Reporte. Padrões como as IFRS S1 e S2 pedem que a empresa explique como riscos e oportunidades climáticos e energéticos afetam sua estratégia e suas finanças.
- Planejamento de longo prazo. O relatório indica que a janela para fortalecer as bases está aberta, mas se estreita.
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