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Dashboard interativo mostra risco e exposição das barragens de mineração no Brasil

Mapa do dashboard de barragens de mineração no Brasil, com pontos coloridos por risco e dano potencial e filtros ao lado

O Brasil tem centenas de barragens de mineração cadastradas, mas encontrar, em um só lugar, quais são as mais críticas, onde estão e quantas pessoas vivem por perto não é simples. Foi para encurtar esse caminho que Mariana Klein, sócia da KICK e pesquisadora do LAPAJ (Laboratório de Pesquisas em Política Ambiental e Justiça, da Ufes), construiu um conjunto de dados aberto e um dashboard interativo sobre o tema. O dataset foi publicado no Harvard Dataverse.

O dataset: “Barragens de Mineração no Brasil”

O trabalho, intitulado Barragens de Mineração no Brasil: Classificação de Risco, Manchas de Inundação e Exposição Populacional, cruza o cadastro público de barragens da Agência Nacional de Mineração (ANM) com dados populacionais do IBGE. Para cada barragem, reúne localização, empresa responsável, categoria de risco (CRI), dano potencial associado (DPA), situação operacional, método construtivo e nível de emergência.

Para as barragens mais críticas, aquelas com CRI e DPA ambos “Alta” ou com nível de emergência ativo (73 de cerca de 909 no momento da extração), o dataset inclui ainda o polígono da mancha de inundação, a área que seria atingida em caso de rompimento, e uma estimativa da população residente dentro dela.

Os arquivos estão disponíveis em formatos abertos (GeoJSON e JSON), com licença CC0, e acompanham um script em Python que permite refazer ou atualizar a base a partir das fontes originais. Como os boletins oficiais da ANM só saem em PDF, os dados foram extraídos do serviço geoespacial público que alimenta o painel da agência.

O que o dashboard mostra

Construído sobre esse dataset, o painel permite explorar os dados sem precisar de nenhum programa:

  • Mapa das barragens: cada ponto é uma barragem, colorido pela combinação entre risco e dano potencial, de “crítico” a “baixo”, com a opção de exibir as manchas de inundação.
  • Panorama nacional: gráficos por estado, categoria de risco, dano potencial, situação operacional, método construtivo e nível de emergência.
  • Exposição por município: os municípios com mais barragens, sua população e uma estimativa de pessoas na área de inundação.
  • Casos históricos: uma linha do tempo de rompimentos, como os de Mariana (2015) e de Brumadinho (2019).
  • Lista pesquisável e filtros por estado, risco, dano potencial, situação e nível de emergência.
  • Conflitos territoriais: uma página que cruza os municípios com barragens com ocorrências de conflitos da mineração e autuações do Ibama.

Na versão atual, o painel mostra 909 barragens cadastradas, das quais 72 têm categoria de risco alta e 72 estão em nível de emergência, e cerca de 26,6 milhões de pessoas moram em municípios que têm ao menos uma barragem. Os números variam conforme a data de extração dos dados.

Como ler esses números com cuidado

A autora faz questão de explicitar os limites do trabalho, e eles valem para quem for usar os dados:

  • é uma iniciativa independente, sem vínculo oficial com a ANM, o IBGE ou o governo federal;
  • a população estimada na mancha é calculada por interpolação de área, supondo densidade uniforme em cada setor censitário. É uma aproximação, não uma contagem de moradores;
  • as manchas têm geometria simplificada para visualização, e não servem para análise de engenharia;
  • a população do município é só um indicador aproximado de exposição;
  • classificações e situação operacional podem mudar depois da data de extração, e decisões técnicas, de segurança ou jurídicas devem se basear sempre na fonte oficial.

Por que isso importa para a agenda ESG

Dados abertos e organizados sobre riscos territoriais ajudam a transformar discurso em análise. Para empresas, instituições financeiras e poder público, eles dão apoio à gestão de riscos, à devida diligência na cadeia de valor e à transparência. E o tema está cada vez mais presente na regulação: no novo relatório GRSAC do Banco Central, por exemplo, a carteira de crédito deve ser cruzada com cadastros públicos, entre eles o de barragens de rejeitos em nível de emergência da ANM.

Cite e use

O dataset é de uso livre. Para citar:

KLEIN, Mariana. Barragens de Mineração no Brasil: Classificação de Risco, Manchas de Inundação e Exposição Populacional. Harvard Dataverse, 2026. DOI: 10.7910/DVN/HALBJD.

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Escreva para contato@kickgroup.com.br. Links: dashboard e dataset no Harvard Dataverse.

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